Lamentamos, mas o seu browser não suporta a tecnologia usada nesta página

Para uma melhor experiência de leitura, recomendamos a utilização

Internet Explorer 9 Google Chrome Mozila Firefox Safari

Para uma melhor experiência de leitura, recomendamos ecrãs iguais ou superiores a 7".

Uma casa para a
Língua Portuguesa

Sentimentos, afetos e doçura.

São estas as palavras mais usadas para descrever a língua portuguesa. Uma língua que tem o nascimento marcado a 27 de junho de 1214. Mas só no papel. Curiosamente, nos últimos anos dos 800 que se comemoram, é na escrita que tem residido a polémica, porque se quer unificar para negociar.

Junto à serra de Sintra vive um exemplo de unificação. Sem o propósito de negociar, sem fins lucrativos, independente e apolítica, a Casa da Língua Portuguesa mora num local que nos anos 30 serviu de mercearia.

O projeto é da atriz brasileira Valéria Carvalho. Surgiu numa oficina de empreendedorismo com objetivo de aproximar os países da língua portuguesa através da arte e cultura. Porque, para a criadora, mais do que a escrita, o que une os países de língua portuguesa é sem dúvida a cultura.


“A arte não tem fronteiras e unifica porque é uma via de comunicação direta entre os seres”. E tem a capacidade de “transformar” e fazer “a consciência evoluir”. Valéria não conhece outro caminho para a evolução da humanidade. Porque afinal é a única via capaz de transcender diferenças económicas ou étnicas. É o poder de “desconstruir” o óbvio e o quotidiano que faz a atriz embarcar em redes de contactos artísticos entre os países da lusofonia.

Na Casa da Língua Portuguesa cada um contribui com aquilo que tem para dar, fomentando a difusão da língua portuguesa, pela veia cultural. Da dança ao teatro, passando pela música, nesta rede de contactos vão-se descobrindo as ligações entre os diversos povos.

O programa de televisão “Estamos Juntos” é uma das maiores iniciativas desta casa. Foi lá que se descobriram as semelhanças entre o chorinho brasileiro e o cabo-verdiano. Ambos beberam inspiração no cavaquinho e no bandolim. Sem saberem que a fonte era sempre a mesma: a língua portuguesa.

Afinal de contas, estamos tão distantes e ao mesmo tempo tão próximos.


Conhecer melhor o que os outros fazem

Maria Maya fundou a associação “8 Séculos de Língua Portuguesa” para celebrar o marco do testamento de D. Afonso II no português. Diz que ao português falta o orgulho dos povos na língua e o conhecimento do que os “outros fazem” nos seus países. Para isso tem desenvolvido diversas atividades pela associação, como tertúlias de poesia dos diversos países lusófonos.

É tudo uma questão de “boa vontade”. Mas não é “chegar, ver e vencer”. No entanto quando as pessoas sentem que não há “interesses escondidos” ou que os promotores das atividades não se aproveitam para “trepar/fazer carreira” é fácil juntar os povos. Basta conversar de “pessoas para pessoas”.

Paulo Mangerotti, brasileiro e estudante de jornalismo, numa entrevista através do skype admitiu que conhecia pouco sobre os países africanos de língua portuguesa. Sabe quais são e pouco mais. Conhece a Comunidade de Países de Língua Portuguesa mas não a sabe distinguir pela sigla da organização.

Julga que o problema está na criação de pontes entre os vários países, que ainda são escassas. Para o jovem os sistemas educativos devem contemplar temáticas sobre os países da lusofonia. Por exemplo, em história ou geografia.

Sabe que os conteúdos mediáticos da TV Globo chegam a todos os países do português mas tirando alguns casos pontuais - referindo o exemplo de Anselmo Ralph - diz que o acesso dos brasileiros a conteúdos culturais dos outros países é mínimo. Menos de Portugal, que ainda goza de uma influência grande entre o povo brasileiro. “O que é ter uma língua em comum sem ter que conversar? Sem ter conteúdo?”, diz apontando a educação e a cultura como caminho para a fruição do conhecimento mútuo.


Para Valéria Carvalho basta acrescentar energia nas coisas de que se gosta para que elas se concretizem. Espera que as pessoas se apercebam da sorte que têm ao falar português e que consigam aproveitar a comunicação que é possível fazer entre a lusofonia. Porque afinal “é ao aceitar a diferença que o ser humano consegue evoluir espiritualmente para fazer do mundo um lugar melhor”.

Na inauguração da Casa da Língua Portuguesa estiveram artistas de todos os países lusófonos. Das artes performativas às artes plásticas. Diz a atriz que Rui Veloso, músico português, classificou o acontecimento como um “ato de mestiçagem”. Porque a diferença fluiu e com isso veio a maior riqueza da língua portuguesa: sentir-se em casa na cultura angolana, guineense, moçambicana, brasileira, timorense, cabo-verdiana, portuguesa ou são-tomense.